Monday, May 14, 2012

Ida a Fátima

Mais um dia 13 de Maio em Fátima, desta vez não fui sozinha, fui com uma colega do trabalho.

O recinto estava repleto de peregrinos, dizem que mais de 300 mil. A missa foi concelebrada por muitos bispos e sacerdotes. Estavam presentes mais de 160 grupos organizados de peregrinos de cerca de 30 países e as cerimónias foram presididas pelo cardeal Gianfranco Ravasi da Itália.

O tempo esteve fantástico, céu pouco nublado e com o sol a espreitar de vez em quando.

Quase no final das cerimónias, tal com em 2011, embora menos pronunciada, uma auréola em volta do sol emocionou muitos dos presentes. Este fenómeno apesar da explicação científica* é visto, por muitos, como um sinal divino.

(Na homilia o cardeal Gianfranco Ravasi alertou para a inconsistência da cultura atual e lembrou os sofrimentos da humanidade, apelando à ação em favor dos mais desfavorecidos numa “fraternidade operativa”.

“Não devemos ter medo de sujar as mãos, ajudando os miseráveis da terra: para que servirá ter as mãos limpas, se as temos no bolso”, disse o responsável máximo do Conselho Pontifício para a Cultura (CPC), que este ano presidiu às cerimónias anuais do 13 de maio, perante centenas de milhares de peregrinos reunidos no santuário da Cova da Iria.

O cardeal italiano afirmou, por outro lado, que a cultura contemporânea “é muitas vezes fluida, inconsistente, semelhante a uma neblina que não conhece pontos firmes morais e luzes de verdade”.

A peregrinação internacional, que evoca o 95.º aniversário da primeira aparição da Virgem Maria na Cova da Iria, tem como tema ‘Eis a serva do Senhor’.

D. Gianfranco Ravasi evocou “as tristes presenças que infelizmente se alojam ainda em Fátima, em todas as cidades e vilas de Portugal, nas nações das quais provêm os peregrinos, nas extremas terras desoladas da Ásia ou da África”.

“Muitos de nós viemos aqui com os olhos velados de choro”, reconheceu o prelado, declarando que “Deus passará diante de todos os homens e mulheres e, quando vir as lágrimas descer dos seus olhos, irá ele mesmo enxugá-las”.

Neste contexto, o responsável do Vaticano para o mundo da cultura recordou Ésquilo, autor da Grécia antiga, e a sua questão sobre a resposta divina ao sofrimento humano.

“A sua pergunta cética não tinha resposta. Nós, pelo contrário, apresentamos a nossa secreta bagagem de sofrimentos, de doença, de mal, de pecado, de solidão, de incompreensões a Maria, para que a entregue ao seu Filho”, observou.

O cardeal italiano apresentou na sua homilia uma reflexão sobre a simbologia de “corpo”, que considerou como mais do que “um aglomerado de células”, destacando a capacidade de comunicar “a alegria e o amor, mas também a dor e o ódio”, “um santuário que pode ser dessacralizado pelo pecado”.

“Infelizmente, na sociedade contemporânea são os corpos sem alma a dominar, tornando-se carne sem espírito, ora adorada ora desprezada”, alertou o responsável da Cúria Romana

O corpo, prosseguiu, “é uma arquitetura admirável que tem sobretudo no rosto a via para se abrir ao mundo e ao próximo”.

O colaborador de Bento XVI citou o apóstolo São Paulo para pedir aos presentes que não se limitem a navegar “na superfície, à deriva, sem refletir e interrogar, sem procurar e julgar”.

“Lembremo-nos uns dos outros, unidos na mesma fé e na comunhão de afetos, para além das distâncias e das dificuldades das línguas”, pediu o cardeal Ravasi, antes de concluir sob uma salva de palmas dos presentes). http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=90913

*(Segundo a ciência o facto é provocado pela luz refletida nos cristais de gelo da atmosfera, a grande altitude).

Bibliotecas vivas

Histórias, fatos, acontecimentos e lembranças vão povoando os meus pensamentos. Fecho os olhos e vejo uma enorme biblioteca viva. Não é uma bilblioteca qualquer. São rostos e olhares de quem já anda neste mundo há muitos anos e outros tantos que já partiram mas deixaram as suas memórias. Estas memórias, se as não recuperarmos, vão ficar para sempre esquecidos no túmulo de quem as viveu. São memórias orais. Episódios engraçados passados com as gentes da minha aldeia. São graças, imitações, rezas, cantigas e formas de viver.


É muito gratificante quando no final do jantar, os que restam desse tempo, se põem a recordar essa maneira tão saudável de viver a vida. Não havia intenção de denegrir ninguém. Era a maneira que encontravam de aliviar o trabalho pesado a que se dedicavam.

Gente simples mas com muita sabedoria. Tenho muito orgulho das gentes da minha terra.








Wednesday, May 02, 2012

Afetos




A nossa vida é feita de mudanças e eu preparo-me para mudar de vida. Vou reformar-me.

Sem querer, vou-me habituando a tomar o lugar dos mais velhos. Sinto-me bem fisicamente. No entanto, no momento de dizer uma frase a palavra certa falta o nome da pessoa não vem apesar de a estar a visualizar. São os indícios da minha finitude.

Fecho os olhos e a minha mente devolve-me pensamentos, imagens e histórias. São fragmentos da minha vida presente e passada e a preocupação com o meu futuro e dos meus filhos e netos. As preocupações afligem-me mais do que é saudável. Por vezes sinto uma angústia tão grande que dói. Tento povoar o espírito por imagens bonitas mas sem querer a preocupação volta de novo. Sei que a minha vida tem algumas lacunas mas quem as não tem. Sempre soube lidar com as limitações que a vida me impôs. Agora sinto-me mais vulnerável.



A minha vida seguiu o percurso normal. Vivi na Aldeia até ter 17 anos. Apesar do meu fraco desenvolvimento, fiz de tudo. Nessa época não se falava em trabalho infantil. Uma coisa que nunca me faltou foi o afeto dos meus pais.



Vim para Lisboa com a idade de 17 anos. Trabalhei na casa de uma família durante quatro anos. Era uma família com princípios que sempre se preocupou com o meu bem-estar, mas, os meus pais estavam longe e as comunicações na década de 70 ainda eram muito complicadas. Enquanto lá trabalhei estudei à noite e consegui tirar o 9º. Ano.



Talvez com a falta da minha família comecei a namorar cedo e cedo casei. Tinha 21 anos.

Nessa altura já trabalhava na cml onde hoje me encontro. Os tempos foram difíceis mas eu estava habituada às dificuldades e nada me metia medo. Os filhos foram nascendo. A minha vida iluminava-se a cada nascimento. Nasceram duas raparigas e um rapaz com idades muito próximas. Era uma alegria. Foram crescendo os anos foram passando e fazia falta mais um bebé e passado dez anos veio mais uma rapariga. Foi a mais planeada apesar de muita gente me interrogar. Está grávida? foi algum descuido? Eu enchia o peito de ar e dizia. Não. Este bebé foi muito desejado o seu nascimento foi planeado com muito cuidado.

A cumplicidade dos seus manos foi muito importante e foi talvez a gota de água que me ajudou na minha decisão.



Os filhos cresceram e felizmente foram organizando as suas vidas. Estudaram, arranjaram emprego e saíram de casa. A casa cheia foi-se esvaziando. A vivência em função dos filhos foi abrandando e hoje, apesar das mil e uma tarefas, sinto-me um pouco perdida.



Durante este percurso ainda arranjei tempo para estudar um pouco mais. Depois dos filhos criados completei o ensino secundário e conclui a licenciatura em Ciências da Comunicação.



Vou-me reformar, por minha iniciativa, podia estar mais uns anos. Mas, quero sair enquanto tenho forças e vontade de viver para reorganizar a minha vida.



A nossa vida obriga-nos a tomar decisões e as decisões tomadas orientam a nossa vida num determinado caminho que seria diferente se seguíssemos outro.

Estou certa que estou a tomar a decisão certa.

Wednesday, February 29, 2012

Um Dia Isto Tinha Que Acontecer

"Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço? "

Texto de Mia Couto

Friday, December 30, 2011




2011/2012




Foto de família na Noite de Natal, com idade superior a 20 anos e inferior a 80 anos, dado o adiantado da hora.


O ano de 2011 está quase no fim. Vivi momentos muito felizes; o nascimento da Maria Inês, o crescimento harmonioso do Luiz, a viagem à Madeira, as férias na praia da areia branca, a visita a Óbidos e ao jardim Berardo e a família junta na noite de Natal. Estes momentos não há dinheiro que os pague. Os menos bons tento esquecê-los.
O ano de 2012 está à porta espero que, apesar da crise, seja um bom ano, com saúde paz e algum dinheiro.
Votos de bom ano 2012 para todos

Thursday, December 29, 2011

As precupações dos Netos

O Luiz anda preocupado com o futuro profissional. E se eu fosse pastor? Com a crise o campo vai ser o futuro.






















A Inês a pensar se faz a vontade ao Pai. Huum ser sócia do Benfica talvez não seja mau de todo.




Wednesday, November 09, 2011



Amores recentes




Tenho dois recentes amores. Um chama-se Luiz e o outro amor chama-se Inês. São duas lufadas de ar fresco que entraram na minha vida.


Gosto dos dois por igual e tenho pena de não poder estar mais presente. Sei que vão ser pessoas de bem.

Sempre que puder vou namorá-los para eles me darem muito colinho.

Friday, October 28, 2011

Mudanças geracionais

Hoje as mudanças geracionais são mais rápidas do que antigamente. No passado o tempo estimado para diferenciar 2 gerações era aproximadamente 25 anos ou mais, hoje, essa diferença estima-se em dez anos.

As mudanças rápidas podem gerar conflitos no convívio social e sobretudo no convívio familiar.

Outro factor gerador de conflitos, são as ligações, através do casamento ou união de facto de pessoas de condições e culturas diferentes.

Aqui os conflitos são mais a nível das pessoas que rodeiam o casal. Os jovens, apesar de virem de culturas diferentes. Os lugares comuns que frequentam, os cursos similares ou iguais que tiraram, os meios tecnológicos que utilizam acabam por ver a vida de maneira muito parecida.

Não é fácil , tanto para o casal como para as famílias envolvidas, aceitarem-se com as suas diferenças. É necessário sermos racionais e atitudes, que nós achamos menos correctas só tem a ver com uma maneira diferente de estar na vida.

Partilhar experiências e novos saberes pode trazer uma mais valia para todos.

Aceitar, respeitar e sobretudo comunicar são atitudes que mantêm relações.